"...
E Clarice corria, ofegante, mal sentia as pernas, o coração palpitava que lhe parecia estar na garganta, um fio de suor escorria em suas costas ardentes. As paredes pareciam falar, sons ecoavam em sua mente como se estivessem presentes.
Aonde estará? Quem ouvirá?
Já não sentia mais o próprio corpo, mas as palpitações continuavam, estremecedoras, o medo tomava conta da sua nitidez.
Sentia gelar seus lábios, o corpo já não respondia mais, um formigamento intenso, porém veio de encontro, um mal estar e uma vontade imensa de jogar toda a podridão e sujeira que havia dentro de si para fora, necessitava fazer isso, sem isso talvez não pudesse voltar.
Levantou-se de ímpeto e foi de encontro ao banheiro, ajoelho-se e suplicou por uma trégua, por uma chance, mas em vão não conseguiu, voltou ao seu leito e tomou um gole de água e tentou dormir novamente.
Mais uma vez aquela palpitação voltou a lhe incomodar, mas desta vez sabia era taquicardia, o formigamento, o suor frio, a boca seca, um filme passou e lembrou de muita água, de estar bem quentinha e segura, de ouvir vozes desejando que chegasse bem, que viesse logo encontrar com eles, mas quem seriam eles?
Tentou se levantar, mas não conseguiu, tentou gritar, mas não havia mais como, a voz era abafada por algo que a sufocava, mas não sabia o que era, e as vozes lhe chamavam, no início tão forte, mas aos poucos, como que se distanciassem dela, iam se tornando cada vez mais e mais fracas.
O socorro não havia mais, apenas muita luz, abriu os olhos e viu um teto branco, ergueu-se e as mesmas roupas no corpo, olhou diante de si e uma janela, e quando completou os sentidos sentiu alguém lhe tocar, e disse:
_ Olá! Seja bem-vinda!
..."
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