sábado, 27 de dezembro de 2008

Isaura

É como sussurros na imensidão da noite, ninguém por perto, ninguém ao certo, apenas vozes do além, sem rumo, sem alguém.

Perco-me nas entrelinhas, me vejo de canto numa esquina, apenas a esperar uma luz.

Talvez não fosse fácil, talvez inevitável, mas nunca provável.

Mas nada faz sentido, tudo é tão volátil, uma loucura que se perde em devaneios. Nada começa bem sem antes terminar definitivamente bem.

Não procuro uma saída, entretanto, não há escolha, o caminho aonde percorrer, um refúgio irei encontrar, para toda esta dor, este sofrimento, que agride, que queima, que faz meu corpo arder em fulgor.

Dedico-me então a compreender, a mergulhar neste subterfúgio que invadiu minha alma e me torna escrava desta eloqüência enlouquecedora.

Eu sou o caminho, a estrada, a medida certa, a Isaura.

Esta que se entrevê em metades indivisíveis que jamais se unirão, que se julga e se mata!

Esta sou eu, em um canto de esquina, apenas Isaura.

Annita Petrucci

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